Sleeves na Buró
A Necessidade de "Gostar" De um Deck
Gostar de um deck é realmente necessário no competitivo? Sandubão traz o assunto à tona em seu artigo de hoje aqui na LigaMagic!
10/01/2022 10:05 - 4.154 visualizações - 5 comentários
Faraway - Jogos e Desafios

Olá! Um dilema que sempre vem à tona quando falamos em escolha de deck para o competitivo é se é necessário "gostar" de um baralho para se dar bem com ele, e se essa é a melhor abordagem quando pensamos em resultados - com o artigo de hoje aqui na LigaMagic, pretendo compartilhar um pouco da minha experiência e visão sobre o assunto!

 

Mas Sandubão, quando jogamos Magic, que é um hobby, não devemos nos divertir, gostar do que estamos fazendo?

 

Salvo alguns poucos jogadores profissionais e criadores de conteúdo cuja subsistência depende do Magic, a maioria de nós têm com o jogo a relação de um hobby. Mesmo os competidores que levam mais a sério, chegando eventualmente a participar em nível profissional são considerados hobbyistas, caso dependam de outro ofício para viver.


Porém, ao chegarmos nesse jogador de nível competitivo (que por vezes é até um aspirante a profissional do jogo), passamos uma linha onde parte da diversão desse jogador é ganhar. Ou às vezes nem o "ganhar por ganhar", mas todo o processo que envolve chegar lá: treinar, escolha de decks, leitura de metagame, o jogo mental para superar o oponente, encontrar uma tecnologia que nenhum outro jogador viu, testar planos de sideboard, e tudo que envolve a preparação, o torneio e o pós-torneio.


E é aí onde, por vezes, um jogador que tenha uma premissa mais competitiva vai optar por um baralho que não gosta/não tem afinidade simplesmente por ser a opção potencialmente mais forte/bem posicionada para um determinado torneio - é sobre isso, e está tudo bem. Todos nós vamos ter preferências, e como já respondi anteriormente aqui na LigaMagic, mesmo eu enquanto jogador competitivo focado em premiações/resultado também tenho os arquétipos que gosto mais. 


Mas quando esses determinados decks não estão bem posicionados em um formato ou existe uma opção claramente superior, é um erro insistir na preferência QUANDO O FOCO É GANHAR ACIMA DE TUDO - e com muita ênfase nessa parte.


Rebobinemos para meados de Julho de 2021, no Standard. Sultai Ultimatum era um dos principais baralhos do metagame, e um que eu cheguei a gostar bastante de jogar no começo daquele formato. 


Conforme ele foi ficando lento, o Mono Red tornou-se um fiel parceiro de grind, mesmo sendo um baralho que eu nunca curti muito (tanto pelo estilo de jogo, como por ter algumas cartas específicas como Brasolamina que são simplesmente poderosas demais e abrem pouca/nenhuma margem de contra-jogada).


Mas, chegou um momento onde o Mono Red já não estava mais entregando, e uma nova criatura chegou para dominar o Standard naquele momento - Sentinela da Jaspera, um aparentemente inócuo drop 1 que fazia muito ao acelerar as jogadas importantes e colocar uma massa crítica de criaturas na mesa para outras sinergias.

Naya Winota
2784 visualizações
25/11/2021
R$ 1.426,58
R$ 2.139,03
R$ 4.582,09
2784 visualizações
25/11/2021
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Criaturas (30)
2   Salvador Altruísta  0,25
4   Sentinela da Jaspera  0,10
3   Cobra de Lótus   12,99
1   Magda, Criminosa Intrépida   2,83
4   Taverneiro Próspero   6,73
2   Gigante Esmaga-ossos // Pisar   4,60
4   Magilaçador de Elite   4,81
1   Minsc, Guardião Adorado    6,39
3   Historiador das Lâminas     3,49
4   Winota, Agregadora de Forças    50,00
2   Kenrith, o Rei Regresso   5,32
Mágicas (2)
2   Esmagamento de Quebra-crânio    39,00
Artefatos (4)
4   Carruagem de Esika   47,13
Terrenos (24)
2   Covil da Hidra 6,88
1   Covil do Bugurso 79,89
2   Floresta 0,00
1   Montanha 0,00
4   Passagem Fabulosa 13,90
2   Planície 0,00
4   Trilha da Coroa de Penedos 39,95
4   Trilha da Orla das Agulhas 49,90
4   Trilha dos Galhos Altos 48,90
60 cards total

Sideboard (15)
3   Embate com Barretes Vermelhos  0,15
2   Mãos Flamejantes   0,18
1   Magistrado de Drannith   44,74
1   Vórtice Turbilhonante   3,95
1   Clotis, Deusa do Destino    47,19
1   Gigante Esmaga-ossos // Pisar   4,60
2   Reidane, Deusa dos Dignos   4,66
2   A Guerra Acrosana   0,13
2   Boi de Agonas    9,69

Gruul Magda
7740 visualizações
25/11/2021
R$ 1.132,45
R$ 1.722,79
R$ 3.455,14
7740 visualizações
25/11/2021
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Criaturas (24)
4   Estalajadeiro de Beiramuro  0,05
4   Sentinela da Jaspera  0,10
1   Cavaleiro de Rochabeira // Carga do Pedregulho   0,05
4   Magda, Criminosa Intrépida   2,83
4   Fera Apaixonada // Desejo do Coração   0,39
4   Gigante Esmaga-ossos // Pisar   4,60
3   Dragão da Ponte Dourada    79,90
Mágicas (4)
4   Esmagamento de Quebra-crânio    39,00
Artefatos (6)
3   Carruagem de Esika   47,13
3   Brasolâmina    22,68
Encantamentos (5)
4   Classe: Guardião   5,98
1   A Guerra Acrosana   0,13
Terrenos (21)
3   Covil da Hidra 6,88
2   Covil do Bugurso 79,89
8   Floresta 0,00
4   Montanha 0,00
4   Trilha da Coroa de Penedos 39,95
60 cards total

Sideboard (15)
4   Embate com Barretes Vermelhos  0,15
3   Mãos Flamejantes   0,18
1   Vórtice Turbilhonante   3,95
2   Clotis, Deusa do Destino    47,19
1   A Guerra Acrosana   0,13
1   Destruidor de Gemas   2,45
3   Boi de Agonas    9,69

O Naya Winota e o Gruul Magda que utilizei nos Dia 1 e Dia 2 do Arena Open de Julho de 2021, respectivamente, eram duas estratégias que reuniam um conjunto de cartas que nunca me apeteceu muito. Decks que dependiam de cartas odiosas como Winota (com toda a variância embutida na roleta), Brasolamina (motivos acima explicados), além do saturado, porém eficiente pacote Aventuras (Estalajadeiro de Beiramuro, Fera Apaixonada // Desejo do Coracao e Gigante Esmaga-ossos // Pisar) e é claro, que dependiam de curvar rapidamente jogadas para fazer a magia acontecer, adicionando uma pitadinha adicional de variância e "tomara que o oponente não tenha resposta".


Apesar disso, parecia um erro não utilizar essas estratégias naquele momento - eram rápidas o bastante para ir "por baixo" do Sultai Ultimatum, enquanto que podiam punir o Mono Red tanto com criaturas maiores quanto com velocidade na corrida de dano. Contra qualquer outro deck, eram plenamente capazes de apresentar um plano proativo poderoso, que demandava interação imediata ou gerava um efeito bola-de-neve que saía de controle.


Mesmo esses não sendo os baralhos da minha preferência, para esse Arena Open em questão preferi deixar o orgulho de lado e focar no desempenho deles, em tentar extrair o máximo durante a gameplay ao invés de pensar em todos os aspectos que me faziam não gostar deles - e fui bastante recompensado ao chegar na premiação de 1k dólares no segundo dia.


Entretanto, essa é a abordagem que uso para um formato como o Standard, que disputo praticamente todos os dias e que seria considerado como um formato principal para o meu jogo competitivo. E que eu não exatamente aplico para torneios menores, que eu não treinei/me preparei tanto ou em formatos que não jogo com tanta frequência - por exemplo, com o rodízio de formatos do Mana Traders Series (Modern, Legacy, Vintage, Pioneer) ou o eventual Historic no Arena acabo por optar em estratégias que me agradam mais ao invés de focar no objetivamente melhor deck, até pela questão tempo/esforço empregado.


Por isso, nas poucas vezes que disputei Legacy recentemente, o combo com Onisciencia e Mostrar e Contar foi minha escolha. Assim como Niv-Mizzet+Trazer à Luz foi minha escolha no Pioneer, e os decks com Valakut, o Pinaculo Derretido ou outros ramps como Tron têm a minha preferência no Modern. Além desses formatos mudarem em uma velocidade menor que no Standard, acabam por ser formatos mais abertos, onde jogar melhor com um deck Tier 2 ou mais fora do metagame acaba sendo até mais benéfico do que só escolher o deck mais bem posicionado naquela semana, mas que pode ter algumas especificidades difíceis de serem masterizadas com pouco tempo hábil para jogar.


No final das contas, mesmo dentro do competitivo, Magic é, apesar de tudo, um jogo. E o que importa é a forma como nos relacionamos com ele. Por exemplo, quando entro nos formatos fora do Standard, minhas chances para obter um bom resultado se equiparam ao nível de investimento de tempo/esforço que terei neles, não devendo atingir o mesmo nível de expectativa que poderia ter para um Standard onde treinei muito mais e sem me culpar se eventualmente um resultado não vier.


E quanto a vocês, leitores, de que lado estão? Preferem escolher o melhor deck sem se importar com estilo, ou vão pelo baralho que gostam mais? E em relação aos pontos levantados no artigo, acreditam que é possível chegar num equilíbrio ou obrigatoriamente existe uma resposta correta? Compartilhem suas opiniões nos comentários!


Abraços e até a próxima!

Patrocinador Oficial LigaMagic Bolts
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Matheus Akio Yanagiura ( sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, é jogador profissional, escritor e streamer de Magic: the Gathering, produzindo conteúdo com foco para o competitivo do jogo desde 2012. Membro da equipe de e-Sports LigaMagic Bolts desde sua formação inicial, dentre seus resultados destacam-se a classificação para o Neon Dynasty Championship, o título do ManaTraders Series Legacy, o vice-campeonato da Twitch Rivals e o Top 8 do Magic LATAM Challenge, além do bi-campeonato do Circuito LigaMagic Modern e Top 16 Grand Prix São Paulo 2018 no Magic Tabletop.
Redes Sociais: Twitch, Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 11/01/2022 16:30
Tem que ser misto, jogar com um deck que ganhe, e que gosta de pilotar.
(Quote)
- 10/01/2022 16:28

Pô, isso é bem verdade. Tem deck que varia entre controle e aggro dependendo do matchup, mas Burn você pode variar isso de um turno para outro hahahaha acho que falam de ser fácil de pilotar porque você pode sim ter uns draws estourados que não tem muito o que decidir. Mas uma boa parte dos decks proativos é assim, né?

(Quote)
- 10/01/2022 15:31
Eu acho que geralmente é mais comum a pessoa se apegar a arquétipos do que decks em si. Claro, em formatos nao-rotativos, se prender a um deck é mais comum, mas é comum tb a pessoa jogar com outros decks que orbitam a mesma linha de jogo, ou que tenham filosofias parecidas (por exemplo, uma grande parcela dos jogadores de Spirits tb gosta de jogar de D&T, e Merfolks tb tem play patterns parecidos com Spirits, então mesmo em diferentes formatos a proximidade filosófica existe).

Eu sempre gostei mais de hard control, mas isso foi até 2011, quando parei. Até aquela época o Magic ainda era tinha spells muito melhores do que criaturas, e mesmo que o boom das criaturas tenha começado a ser pensado no bloco de Investida, foi ali a partir de Alara e Lorwyn que a coisa mudou muito. E foi ali que eu vi que o melhor dos dois mundos era um deck tempo (olá, UB fadas).

Se os Goblins de Investida me fizeram respeitar o vermelho e decks de criatura pela primeira vez, foi só em Lorwyn que eu comecei a pensar que era mais jogo controlar com criaturas do que sem. E por essas e outras, eu hoje não consigo me ver jogando de hard control como antes, mas também não jogo de mindless aggro (curiosamente eu tenho o Burn do pioneer, que é um arquetipo que erroneamente as pessoas julgam como sendo "desliga o cérebro e vai", e jogar bem de Burn é bem mais fácil quando vc tem o background de decks tempo).
(Quote)
- 10/01/2022 13:10
Engraçado que pra mim é meio que os dois: o deck tem que ser forte, mas eu tenho que gostar dele pra jogar competitivamente. Magic pra mim é hobby, mas sou o tipo de jogador que prefere jogar pra ganhar. Então, tem tempo que não jogo muito Standard competitivamente porque nenhum deck me prendeu nele. Último tier deck que gostava muito de jogar era o deck que o PV ganhou o mundial (UW control). Depois fiquei jogando com Yorion Esper Doom ou então o Boros Burn de agora e decks desse nível que perdem dos top tiers frequentemente. Então fico mais no for fun enquanto Control não volta pra tier 1 deck no Standard hehe Estou jogando mais Historic agora.
(Quote)
- 10/01/2022 11:36
Bem interessante a discussão. Estou muuuuito longe de competitivo, mas é muito chato ir para um torneio em loja e não ganhar uma partida porque insisti num deck divertido mas tierless. Tirando metas muito ruins, parece-me que sempre existem opções com estratégias diferentes. No Modern você tem agora HammerTime, GDS, Izzet, Burn, Cascade - com estratégias bem distintas, mas são escolhas viáveis. No Standard aggro está mais representado, mas control não é uma escolha absurda. Legacy tem uma porção de decks possíveis agora.
Eu acho que vale escolher um deck que agrade mais do que um que pareça ter alguns pontos percentuais de vantagem. Mas pra quem joga a sério mesmo talvez valha.
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